Rickard Montgomery

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Sigtryggr estava apavorado. A sala fria de pedra, iluminada por uma única lanterna, já lhe dava uma ideia do que deveria esperar do homem à sua frente. O desespero começava a lhe dominar. Forçava suas mãos e pés contra as cordas que lhe prendiam à cadeira de forma incessante, numa vã esperança de se libertar.

- Eu gosto de pensar que sou um homem razoável – disse Rickard.

Sigtryggr deu um sorriso nervoso, que mais pareceu uma careta.

- Não há a menor necessidade de tornarmos isso desagradável para nenhum de nós. Tudo que você precisa fazer é me dizer quem é o policial que tem seguido a senhorita Brüm no trem onde você trabalha.

- Eu não sei quem ele é senhor, juro que não sei – Sigtryggr balançava a cabeça enfaticamente enquanto falava, tentando não parecer tão assustado quanto realmente estava.

- Pense no que vai acontecer se você não cooperar. Você tem alguém que vai sofrer com a sua ausência? Uma esposa? Filhos talvez? Tornar-se órfão é algo que destrói a vida de uma criança.

Rickard falava com propriedade. Ele mesmo tornara-se órfão depois que seu pai, Bardok Montgomery, morreu em um desabamento numa mina de ferro de Harrow Ham. Deixado à própria sorte, viveu nas ruas por dois anos antes de ser recrutado por Ravn. Não era uma época da qual gostava de se recordar.

Sigtryggr apenas olhou para o chão, em silêncio.

- Ninguém? Não posso dizer que estou surpreso. Um homem como você não ama nada além de dinheiro. Mas vamos ver o quanto ama a si mesmo.

-Não, por favor não! Eu juro que não sei de nada!

Rickard desembainhou uma fina adaga, que mais se assemelhava a uma agulha. Fez isso devagar, deixando o barulho do metal roçando contra a bainha inundar a pequena sala, divertindo-se ao ver os olhos de Sigtryggr se esbugalharem.

- Não senhor, eu lhe imploro! – Sigtryggr gritava, à medida que lágrimas começavam a sair de seus olhos.

Ravn Nightingale o havia ensinado que o terror psicológico era a parte mais importante. Aqueles que o suportavam muito provavelmente suportariam a dor física. Quando apareceu junto de Rickard na mansão de Akilli, este o questionou sobre a necessidade de um segundo aprendiz, e Ravn respondeu dizendo que “tolo é o mestre que tem apenas um aluno, pois arrisca ter sua arte apagada pelo simples acaso”. Akilli aprendera ao longo dos anos a não questionar seu mestre espião. Rickard treinou as artes da espionagem sob a tutela de Ravn nos anos que se seguiram e encontrou na servidão à Akilli um novo propósito.

- O nome do policial é Phineas Dalton, um recruta à serviço da uma inspetora chamada Hadaar Phelaia, uma tiefling. – disse Rickard ao sair da sala – Ele não soube dizer o que levou essa inspetora a investigar Jordana.

- Hadaar Phelaia? Nunca ouvi falar. Tem certeza de que ele só não disse isso para que você o deixasse em paz? – Morgana deu um sorriso debochado, como sempre.

- Óbvio que tenho – disse Rickard rispidamente, como era de praxe. Ele nunca iria assumir, mas aquele sorriso o fazia se derreter por dentro. Morgana Addams era a aprendiz mais velha de Ravn, e não foi surpresa nenhuma quando ela assumiu o posto dele após sua morte. Rickard era fascinado por ela desde que a viu pela primeira vez, fazendo acrobacias na sala de treino de Ravn. Cresceram juntos, e com o tempo a atitude dela evoluiu do carinho de uma irmã mais velha para uma mistura de implicância e flerte, mas os dois hesitavam em manter uma relação por medo de que isso afetasse sua objetividade, se iludindo ao pensar que isso já não ocorria.

Morgana deu um risinho de satisfação ao extrair de Rickard a reação que desejava.

- Jordana deve saber de quem se trata. Você retornará com ela a Nova Leeds?

- Sim, o trabalho a ser feito lá apenas começou. Voltarei ainda hoje, Jordana deve ir na semana que vem, com as ordens de Akilli.

- Como tem sido com seus novos companheiros? – Morgana enfatizou as últimas duas palavras, deixando seu ciúme evidente de forma proposital.

- Eles são… um tanto peculiares. Eficientes, mas nem de longe discretos. Preferia muito mais estar trabalhando com você – disse Rickard, recompensando a demonstração de Morgana.

- Disso eu não tenho a menor dúvida. Bem, por mais que eu fosse gostar de ficar aqui colocando conversa em dia com você, eu tenho uma série de responsabilidades que demandam minha atenção. Está dispensado – Ela balançou a mão enquanto falava, mais uma vez com um sorriso debochado – Ah, Akilli disse que queria falar com você antes que partisse.

Rickard pensava em como essas duas pessoas, Morgana e Akilli, representavam tudo que realmente importava para ele nesse mundo, à medida que subia as escadas para o escritório do Barão de Ferro. Desde de que saiu das ruas viveu com um único propósito, o de ver Akilli no trono unificado de Sanq. Sempre imaginou que assistiria isso com Morgana ao seu lado e que, uma vez que tudo estivesse resolvido, teriam finalmente tempo um para o outro. Isso era tudo que importava. Nada ficaria no caminho disso.

Rickard Montgomery

D&D 5.0+; "Campanha Sem Nome N° 6" ZombieAlligator ZombieAlligator