Markul Dumehvir

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Bio:

Há cerca de 35 anos atrás, enquanto o Bom Rei Jordan Melenis ainda sentava em seu trono, Mantia como conselheiro e membro da côrte seu amigo de infância e confidente, o marquês Rickard Dumehvir, aristocrata das terras de Charfontaine.

A Casa de Dumehvir era uma casa milenar, que tem este nome em homenagem a um dragão dourado que lutou ao lado do primeiro patriarca, um guerreiro humano chamado Baragor para juntos eliminarem a ameaça do terrível dragão vermelho Balazath, que assolava as planícies que hoje pertencem à família.

Como sinal de amizade e coragem, o Guerreiro adotou para sempre o nome do dragão como nome de sua família. O dragão, por sua vez, fez das jóias e do ouro incrustado em suas escamas um elmo mágico que só pode ser usado pelos verdadeiros herdeiros de Baragor.

O Marquês, homem de influência e sempre envolvido nas questões políticas da região, muitas vezes funcionava como mediador nos conflitos entre o beligerante e intransigente duque de Charfontaine e a liderança élfica de Orenais. Nestas idas e vindas, apaixonou-se por uma elfa chamada Kalarin e, após lhe fazer a corte, com a permissão do povo élfico casou-se com a dama e a levou para seu castelo para ser sua marquesa. Com isso, as relações entre a Casa Dumehvir e a nação élfica de Orenais tornaram-se cada vez melhores e os conflitos entre o duque e o povo da floresta tomaram o ar de amigáveis negociações.

Com o tempo, Kalarin engravidou e isto trouxe preocupações a Rickard, pois ele era um homem público e com um casamento com outra raça, o que já levantava sobrancelhas em meio à corte majoritariamente humana do reino e ele sabia que descendentes mestiços só piorariam a situação. Com isso em mente, levou suas preocupações ao Bom Rei Jordan Melenis, que disse ao marquês que não se preocupasse, pois ele garantiria que em nada a Casa de Dumehvir seria prejudicada, fossem quem fossem seus herdeiros.

Meses depois nasceu o Primogênito Ariel Dumehvir, meio-elfo, e após pouco mais de um ano nasceu o segundo filho: Markul Dumehvir. Ambos viveram as auroras de suas vidas sob a proteção do Bom Rei Jordan Melenis, até o falecimento do mesmo, fato que mudou suas vidas e o destino da Casa de Dumehvir.

Com a morte do monarca e sem herdeiros para manter a ordem, o véu sobre os herdeiros da do Marquês caiu por terra, e junto deste foi o renome e a influência dos Dumehvir junto aos governantes do país. Com o tempo, a família heterogênea com herdeiros de “sangue-da-floresta” foi virando motivo de fofocas e maledicências dos nobres da região e os únicos amigos que mantiveram sua lealdade foram os elfos de Orenais, posto que os elfos não se esquecem daqueles que os querem bem.

A decadência de sua Casa milenar fez o marquês Rickard afundar-se em melancolia e seus filhos, apesar de todo o infinito carinho maternal de Kalarin, cresceram observando o definhar de seu outrora nobre e orgulhoso pai.

Enquanto seu irmão mais velho crescia rebelde e aparentemente descompromissado com as regras da vida aristocrática, Markul fazia de tudo para suprir a ausência de espírito do pai: era um estudioso da história da família e da geopolítica do reino, mantinha boas relações com o clero local e acompanhava a mãe nas visitas a Orenais. Sua maior preocupação era a postura de seu irmão, e como seria quando chegasse a hora de ele assumir o Patriarcado.

Com o tempo, quando os irmãos já adentravam as terceiras décadas de suas vidas, Rickard adoeceu e ficou restrito ao seu quarto, com uma doença da mente que lhe drenava as forças cada vez mais. Segundo as leis de patriarcado vigentes, a chefia da família cabia então a Ariel, o primogênito.

Ariel, porém, um espírito livre, rebelou-se contra o fardo de politicagem e mediações que lhe foram impostos. Cruzou as muralhas do castelo de seus pais sem olhar para trás e sem revelar seu destino, ou mesmo se havia um, deixando uma mãe aos prantos, um irmão sem chão e um elmo mágico vazio.

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Após o ato rebelde de seu irmão, Markul teve que assumir as rédeas da família. Depois disso, a vida de seu pai não demorou muita a se esvaecer de vez. Os inúmeros acontecimentos de preconceito e boicote dos nobres e dos burgueses em relação a sua família enfraqueceram tanto economicamente quanto psicologicamente o patriarca da família, mas a fuga do seu primogênito foi a gota d’água na recente saúde frágil de Rickard. Ele foi enterrado junto aos seus antepassados no mausoléu dos Dumehvir, localizado no cemitério de Charfontaine. Ele se foi deixando uma mulher desamparada, um filho fugitivo e outro despreparado.

Markul tentou de tudo para controlar as rédeas da família depois desses dois incidentes. Ele não conseguia esquecer Ariel, ao mesmo tempo que sentia uma forte raiva e o culpava como responsável pela morte de seu pai, ele também sentia falta do irmão. “Mas não havia tempo de pensar em coisas imutáveis do passado”, pensava Markul.

Primeiramente, o novo patriarca da casa de Dumehvir precisava quitar as dívidas da família. Ele procurou as antigas alianças de seu pai e pediu ajuda em nome de Rickard e do homem que ele já foi. Entretanto, muitos estavam incertos e amedrontados de tomar qualquer decisão que fosse sensível à nova ordem política que estava se instaurando no país. Muitas outras famílias nobres e até burgueses temiam sofrer ou estavam sofrendo da mesma sina que a família Dumehvir. Entretanto, um amigo de seu pai, Jean Couternay, um nobre em ascensão de uma família antiga que havia se fragmentado, abordou Markul com uma proposta. Ele quitaria todas as dívidas restantes da família e colocaria o castelo sobre sua tutela financeira temporária, mas Markul deveria prometer a mão do seu primeiro filho ou filha em casamento para o filho/filha de Couternay. Naquela situação, não havia muito o que fazer além de concordar.

As coisas pareciam estar começando a dar certo para a família. As dívidas estavam diminuindo e as terras estavam férteis com uma colheita satisfatórias. Entretanto, a sorte de Markul havia durado pouco. Muitos nobres de Charfontaine se incomodavam com os antigos laços da família Dumehvir com a monarquia e sua relação próxima ao Bom Rei. Algumas das mais influentes famílias de Charfontaine sussurraram diversas vezes no ouvido do Arqueduque sobre suas incertezas a respeito dos Dumehvir. “Uma família de mestiços”. “O primogênito de Rickard fugiu de um casamento”. “Não se pode mais confiar neles”. “A mulher de Rickard é uma elfa”. “Seus filhos são pecados ambulantes”. Depois de muita pressão, Didier não teve escolha. Destituiu a família da maioria das suas terras e revogou o seu direito à nobreza em Charfontaine. Com consequência da perda da nobreza, o nobre Counternay tomou para si o castelo dos Dumehvir pelo prejuízo de não conseguir garantir um casamento favorável para a família.

Tudo parecia perdido para Markul. Ele e sua mãe tiveram que se mudar para uma casa nas redondezas da cidade mais próxima. Markul só conseguiu trazer consigo algumas roupas, uma quantia razoável de riquezas em jóias e pertences e o elmo da família. E mesmo se mudando, os problemas seguiram ele para a nova residência. Os Dumehvir não gozavam mais do privilégio de ser da nobreza e as dívidas batiam em sua porta com mais frequência. A família estava quase entrando em falência e Markul levou muitos “nãos” antes das coisas começarem a darem certo novamente. Após muita procura, o meio-elfo conseguiu ajuda de outro amigo do seu pai. Um antigo amigo de Rickard, Masrur Saluja, ofereceu comprar quase todas as terras restantes da família com um preço razoável o suficiente para eles se estabelecerem. Entretanto, Markul sabia que isso não sustentaria sua família para sempre e que as dívidas e custos ainda superavam muito o ganho.

Markul sabia que aquilo não era suficiente, que deveria haver outras formas de reerguer o antigo prestígio da família. Entretanto, suas decisões estavam engessadas de todos os lados. Não haviam mais para aonde recorrer. Nas suas idas frequentes a igreja de Helm, ele implorou por um sinal para guia-lo para direção certa. E assim ele foi atendido.

Nessa mesma noite, Markul teve um sonho que mudaria sua vida. Tudo era preto. Ele parecia estar flutuando num grande vazio escuro e frio quando uma luz muito forte incidiu em sua frente. De repente, ele estava flutuando na grande imensidão do espaço cercado de estrelas, planetas e luas. Na sua frente, jazia uma armadura colossal, maior que as estrelas. Ela brilhava refletindo galáxias inteiras em sua superfície. Da armadura, saiu uma voz retumbante que parecia ecoar diretamente na mente de Markul: “Seu fardo é pesado, criança, mas seu destino desabrocha a sua frente. ” A armadura então envolveu o corpo de Markul com suas mãos e um grande brilho surgiu desse ponto. Parecia que toda a vida do meio-elfo estava passando em sua frente de uma única vez enquanto seu corpo parecia se incendiar de tanta energia que emanava dele. Foi então que ele acordou, suado e assustado com a luz da janela de seu quarto incidindo em seu rosto. Ele se sentia revigorado e de certa forma o mesmo, mas ao mesmo tempo havia algo diferente sim.

Foi apenas três dias depois do sonho que Markul descobriu o que havia acontecido. Na sua visita a Igreja de Helm, o clérigo encarregado sentiu a energia emanando do meio-elfo. Depois de uma longa conversa, o clérigo, Sr. Barrastan Silver, identificou que Markul havia sido tocado pela bênção de Helm, o mesmo Deus que ele servia. Barrastan disse que poderia ajudá-lo a controlar esse novo poder e Markul viu nisso uma oportunidade se abrindo a sua frente.

Ele passou o último ano treinando com Sr. Barrastan, um humano gordo e de baixa estatura aparentando ter seus 60 anos que sempre falava num tom sereno e nunca estava visivelmente triste. No treinamento, Markul aprendeu a arte da guerra, cura e o trabalho em metais com o clérigo. O meio-elfo se impressionou bastante com as habilidades e conhecimentos diversos do padre. Barrastan nunca falava muito sobre seu passado, apenas disse que serviu em uma das batalhas de Bollwerk com Vyf e que veio a Charfontaine se acomodar e pagar por seus pecados. Ele também contava histórias sobre sua amizade com alguns mercadores anões e como eles passaram ao padre seus maiores tesouros: o trabalho em ferro e o idioma anão.

Durante esse treinamento, Markul contou muita coisa a Barrastan também. Contou sobre o que estava acontecendo com a família dele e seus pensamentos sobre a monarquia do Bom Rei e Barraston entedia os sentimentos do meio-elfo. Barraston disse que se Markul gostaria de fazer alguma coisa a respeito da sua família e da condição política do país agora dividido não deveria se limitar a Charfontaine, que deveria viajar pelos outros países e procurar outras formas de ganhar seu próprio nome. Foi então que o meio-elfo tomou a decisão de seguir esse conselho. Sua mãe seguiu para sua terra Natal em Orenais e ele partiu com a promessa de que quando voltasse à Charfontaine, ele ergueria os Dumehvir para o seu lugar de direito.

Markul Dumehvir

D&D 5.0+; "Campanha Sem Nome N° 6" ZombieAlligator ZombieAlligator